Jefferson Peixoto
A TV ENTROU EM PÂNICO
Quando chegamos Ă conclusĂŁo de que já nĂŁo há mais possibilidade de se fazer algo novo na TelevisĂŁo, vem sempre alguĂ©m e rompe tudo isso com uma nova idĂ©ia. Mas, essas novidades custam a surgir, Ă© de tempo em tempo – assim me vem Ă cabeça uma expressĂŁo do filĂłsofo Castilho. O insuportável Chacrinha certa vez alardeou: “na tv nada se cria, tudo se copia”, e essa frase, que nos remete aos limites de nossa burrice covarde, foi propagada como um pretexto para a mesmice instalada na televisĂŁo brasileira. Há muito nĂŁo se via uma boa novidade na tevĂŞ, para quem acha o BBB uma coisa boa, aĂ... silĂŞncio deste cronista... Eis que surge o Pânico na TV para confundir a cabeça do telespectador tupiniquim, mostrando que humor nĂŁo Ă© sinĂ´nimo de idiotice, que comĂ©dia se faz com inteligĂŞncia e nĂŁo com Carlos Alberto de NĂłbrega e Moacir Franco.
O que é o Pânico na TV? É a extensão de um programa de sucesso na rádio Jovem Pan, que há muito vem liderando a audiência, porém, a adaptação do rádio para tevê, nesse caso, deu certo. Diferente de alguns sucessos do rádio que são grandes desastres na telinha. Apresentado aos domingos na Rede TV! é, sem dúvida, o recheio saboroso do bolo insosso que é a emissora. O Pânico representa uma ruptura na estética televisiva brasileira, nem possui a falsa rebeldia dos programas da MTV e muito menos a mediocridade quadrada das grandes tevês abertas. Em meio há uma pluralidade de canais, posso dizer que O Pânico é hoje a maior atração de nossa televisão no que diz respeito a inovação.
Talento Ă© o que conta no humor, inteligĂŞncia para fazer as pessoas rirem vale mais que mil cambalhotas e um nariz vermelho. EmĂlio Surita está a frente da bagunça inteligente da atração, com seu cinismo cĂ´mico digno de grandes comediantes americanos, o apresentador tenta comandar sua “trupe” indĂłcil: Bola, Ceará, Sabrina, Mendigo, Ceará, RepĂłrter Vesgo e outros, cada um com sua parcela importante no programa, atĂ© mesmo o Bola, que aparentemente nada faz na atração dominical, tem o seu papel de sem-graça, Ă© o DedĂ© Santana do Pânico. Um dos grandes trunfos do programa sĂŁo os textos bem elaborados e narrados de maneira inigualável por EmĂlio, o que me traz Ă memĂłria que há algum tempo o VĂdeo Show, da Rede Globo, foi premiado pela Academia Brasileira de Letras... nĂŁo, aĂ seria querer demais... o Pânico na ABL?
É, meu caro Chacrinha, que deus o tenha! Criatividade e inteligĂŞncia sĂŁo caracterĂsticas que poucos sabem explorar. Fazer televisĂŁo, talvez qualquer um faça, programas de auditĂłrio, jornalĂsticos, esportivos, entrevistas, musicais, religiosos, tem para todos os gostos e desgostos, como diria o bĂŞbado lá da esquina: “o inferno ta chei!”(sic) Mas fazer com real talento, isso Ă© para poucos. Humor, entĂŁo, Ă© que Ă© para poucos mesmo. Atirar fezes no ventilador todo mundo pode atirar, agora saber evitar que se espalhe o mal cheiro...hum!!Na tevĂŞ, quem sabe cria e o incompetente sĂł copia!
Jefferson Peixoto Ă© escritor e jornalista.
Laureado pela Academia Brasileira de Letras.
e-mail: jefpeixoto@yahoo.com.br